Uma parte considerável da população mundial defende que a religião é a solução para todo mal do mundo. Essa mesma que maioria vive submersa em algum fundamentalismo religioso, que há anos vem fazendo um efeito inverso ao que foi imaginado. No Oriente médio, um dos lugares mais religiosos do mundo, berço das três maiores religiões ocidentais, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Enfrentam diversos conflitos religiosos, conflitos que se tornaram históricos, e demasiadamente comuns, aceitos por todos como algo natural. A religião não impede tanta violência, se seu papel primordial era conter as pessoas, ela falhou. Falhou de uma forma estarrecedora. Isso porque o Oriente Médio vive em estado de tensão há muito tempo. Além de ser visada pelo mundo inteiro por sua grande fonte de petróleo, ainda é abrigo das três religiões que se divergem entre si, cada qual com suas doutrinas, tentam de forma violenta fazer valer suas verdades.
Parece mesmo incrível o ponto em que as pessoas chegam para defender suas doutrinas. Não é um exagero dizer que elas são capazes de qualquer coisa. Quantas outras pessoas não foram assassinadas violentamente, simplesmente por pensarem diferente? Quantas casas foram bombardeadas e provocando a morte de famílias inteiras? Quantas crianças inocentes foram mortas! Mas isso já não escandaliza a humanidade, chegam a achar normal alguém queimar uma pessoa, apedrejar. Tudo isso vem dos países mais religiosos do mundo, ali, onde até o ar é divino!
As pessoas se escandalizam mais quando alguém faz uma zombaria com deuses, filme de humor, músicas, desenhos. Como aconteceu atualmente, quando uma americano produziu um filme onde o profeta Maomé aparecia em cenas de sexo, outras que mostravam a tirania do profeta, ou quando brincavam com a sua sexualidade e seu caráter. Isso sim escandalizou muitas pessoas no mundo, mas quando muçulmanos se mataram de ódio, literalmente, ao saber do filme, não escandalizou a ninguém!
Quantas vezes ouvimos por ai que deus é amor, se assim fosse, as religiões jamais chegariam ao extremo ódio umas contra outras, pois deus sendo amor; as pessoas agiriam guiadas pela paz, respeito, pois no amor todos são iguais, não há preconceito, nem violência. Já as pessoas guiadas pelas suas crenças, agem de forma oposta ao amor. Cada cultura com seu deus pessoal, nomes diferentes, aparências diversas. Desde a antiguidade, com os povos antigos, egípcios, persas, babilônicos, assírios e gregos, criavam seus deuses e mitos, e lhes atribuía características diversas, humanas ou não. A cada deus é atribuído força, poderes diversos, condutas arbitrárias e supremacia diante dos seres mortais, fracos e inferiores.
Muitas vezes vejo soluções tão simples, por outro lado tão complexas, diante de acontecimentos agregados à sociedade ao longo de milênios. Se eles necessitam de um deus, porque não um deus como o apresentado por Albert Einstein? Um deus impessoal, que não manipula o os seres por sua mera vontade, mas que age seguindo as leis naturais, um universo movido pelo cosmos, sem dogmas, nem um deus concebido à imagem do homem, portanto, não há igrejas para alienar ninguém. Muito semelhante ao apresentado por Schopenhauer no modelo budista. Ou também, defendidos por homens considerados os maiores hereges da história, como Demócrito ou Spinoza.
Einstein defende uma religião do futuro, a cósmica, sem nenhuma teologia, sem conceitos determinados por deus. Não haveria um deus para agradar, se sujeitar, se humilhar, se salvar. Assim, sem igrejas, sem necessidades de rezas ou orações, pois a natureza segue apenas sua necessidade, não a pedidos de quem quer que seja.
Seria a solução da guerra que a religião travou contra a ciência, e esta nova religião sim, poderia andar de mãos dadas com a ciência, sem maiores transtornos, sem divergências, pois hoje a ciência mal pode caminhar se desenvolver, pois as restrições impostas pelas religiões impedem isso há tempos. E assim nos perguntamos; por que isso não acontece?. A resposta não é muito difícil, aqueles que estão no poder, no controle da humanidade, os líderes religiosos das religiões dominadoras, jamais aceitarão propostas como essas, que não lhes trazem lucro algum. O medo de perder o poder é muito maior que qualquer ânsia de paz desejada por muitos.
A religião e a política andam de mãos dadas, e são aliadas contra todos nós, mas poucos percebem, as pessoas estão cegas, não conseguem mais enxergar o que é absurdo e o que não é, uma venda que cobre os olhos de todos, mais conhecida como religião!
Muitos céticos, ateus, descrentes ou simplesmente pessoas sem nenhuma religião, tem defendido o fim dos fundamentalismos religiosos, o incentivo ao racionalismo, um maior questionamento diante dos fatos ocorridos na história, na natureza e na vida. Também muito semelhante ao apresentado por Spinoza e Einstein. Isso não seria excluir a moralidade, a humanidade ou o amor, e tudo que o ser humano atribui às religiões. Seria apenas excluir os conflitos gerados por elas, seria apenas a exclusão dos mitos, das superstições criadas pelos primitivos, para dar lugar ao verdadeiro amor, a paz, ao crescimento do ser humano e à chegada da tão sonhada civilização! Excluir as religiões ultrapassadas, não levaria a humanidade ao caos, como imaginam muitos, seria um grande passo da humanidade rumo à evolução mental.
A religião nunca uniu pessoas. Ao contrário, a religião sempre foi o maior motivo de distanciamento entre as raças, culturas e povos. As pessoas perderam mesmo a noção do significado de união, paz, amor e respeito. As grandes religiões são sinônimas da segregação há milênios, mas ninguém notou, estavam muito ocupados pra pensar, em suas igrejas, mesquitas ou sinagogas!


