Pra Entender o Mundo
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Deus, ou seja, a natureza! Espinoza
Afinal, o que dissera o jovem Espinosa - em 1656 - o que escrevera o filósofo - em1670 - e o que deixara escrito - em 1678 - para que fosse expulso da comunidade judaica e condenado pelas autoridades cristãs? Que se passa no século XVII para que seu pensamento seja considerado como veneno, blasfêmia e abominação? Por que alguns leitores, seus contemporâneos afirmam estar diante de "nova encarnação de Satã" e que seu nome, Benedictus, em latim, deveria ser mudado para Maledictus? Sobretudo, porque, diferentemente de outros contemporâneos seus, como Galileu, Descartes e Hobbes , cujas obras também foram condenadas como perigosas para a ordem estabelecida.
Espinosa não foi execrado apenas por autoridades políticas e eclesiásticas, e sim também pelos próprios filósofos e cientistas de seu tempo? Poucos pensadores foram tão odiados quanta ele. No entanto, poucos também tem sido tão admirados e amados quanta ele. Que há em seu pensamento para que ninguém se sinta indiferente ao lê-Io? Por que, ao ser lida a obra, o homem Espinosa se faz tão presente e suscita sentimentos e ideias tão contrários?
Durante os séculos XVII,XVIII e XIX, Espinosa foi aquele de quem não se devia falar ou aquele que devia ser atacado, mesmo e sobretudo sem que sua obra fosse lida. "Espinosismo" e "espinosista" tornaram-se palavras acusatórias. No entanto, ao mesmo tempo, sua obra não cessou de exercer uma atração insuperável, como se por ela passasse a decisão fundamental da filosofia moderna. Atração de tal modo forte que, a um jovem discípulo que começaria a ler a Ética e fora tornado de dúvidas, seu mestre, o teólogo Padre Malebranche (1638-1715), recomendava que não a lesse, porque "é maquina infernal" e aquele que nela penetra é sequestrado por suas engrenagens, não podendo nunca mais libertar se dela. Atração tão poderosa que, no século XIX, o filósofo Hegel dirá que a modernidade filosófica começa com Espinosa e que sem ele nenhuma filosofia é possível.
A inovação espinosana aparece num conjunto de teses que serão minuciosamente demonstradas pelo filósofo. Que demonstra ele?
1. Que Deus e a Natureza são uma só e mesma coisa - Deus sive Natura ("Deus, ou seja, a Natureza").
2. E, portanto, que Deus não é um super-homem dotado de entendimento onisciente nem vontade onipotente, não age tendo em vista fins misteriosos e não é, como crê a imaginação supersticiosa uma pessoa transparente, monarca do universo e juiz do homem.
3. Que o homem é livre não porque seria dotado de livre arbítrio para escolher entre alternativas igualmente possíveis, mas por ser uma parte da Natureza divina, dotado de força interna para pensar e agir por si mesmo.
4. Que a religião é um impulso natural para dar sentido ao mundo e a vida humana, servindo de consolação para a alma dos devotos, e reduzindo-se a dois preceitos universais muito simples: Crer na existência de um Deus bom e justo; amar a Deus e ao próximo. Por esse motivo, a verdadeira religião é uma relação espiritual entre a consciência individual e a divindade, dispensando aparato de igrejas as e teologias.
5. Que o poder político não nasce de um contrato social das vontades individuais, mas da força coletiva da massa reunida num ato de decisão pelo qual institui a si mesma como sujeito político detentor do poder; que esse poder é civil, não podendo jamais subordinar-se ao poderio religioso teleológico, sob pena de transformar-se em tirania sobre os corpos e espíritos.
6- Que, portanto, a teologia difere da política e difere também da filosofia. Esta última é um saber livremente buscado pela razão humana, enquanto aquela forja mistérios revelados por Deus que não poderiam ser conhecidos por nosso entendimento. Em outras palavras, a teologia é uma ausência de saber verdadeiro que pretende conseguir a obediência e submissão das consciências a dogmas indemonstráveis sendo por isso mesmo um poder tirânico e não um conhecimento.
Com essas teses, a filosofia de Espinosa se apresenta como um divisor de águas entre a liberdade (de pensamento, de expressão e de ação) e a servidão (ética, política e teológica). Nisso reside seu enorme perigo para as ideias vigentes e os poderes estabelecidos. Por abalar poderes e pensamentos instituídos, a obra espinosana foi lida, no correr dos três últimos séculos, de uma maneira que a fez parecer contraditória em si mesma, quando, na realidade, contradiz o estabelecido. Por essa razão, tem sido interpretada de formas tão variadas que parece impossível capta-Ia como filosofia coerente au dotada de alguma identidade.
No século XVII, lida como a mais perniciosa forma de ateísmo por afirmar a identidade entre Deus e Natureza, foi considerada fatalista porque demonstra que a realidade é regida por leis universais, necessárias, imutáveis e eternas, as quais os seres humanos também se encontram submetidos, pois a noção de livre-arbítrio é ilusória sinal de nossa ignorância quanta as causas necessárias que determinam nossas ações, ideias e desejos. Horrorizados, os leitores cristãos declararam que a obra espinosana retira a liberdade de Deus (pois Este se confundiria com as leis necessárias da Natureza) e a responsabilidade do homem (pois este simplesmente seguiria o curso necessário das leis naturais). No primeiro caso, teriam desaparecido as ideias de Providência divina e de milagre; no segundo, as de recompensa e castigo numa vida futura. No seculo XVIII, porém,a afirmação de Espinosa "Deus ou
Natureza" leva a interpretar e a valorizar sua obra como primeira doutrina sistemática do deísmo,ou religião natural, defendida pelo racionalismo da ilustração.
Para os deístas, Deus é a força racional e necessária que rege a realidade segundo leis inteligíveis conhecidas pela filosofia e pela ciência, dispensando os mistérios teológicos e religiosos. Sob esse ponto de vista, Espinosa surgia como precursor da verdadeira racionalidade moderna. A partir do Romantismo, no
entanto, o século XIX considerou Espinosa, nas palavras do poeta Novalis, "0 homem embriagado de Deus" e sua obra, a forma mais profunda do misticismo panteísta, porque, identificando Deus e Natureza, prometeria a felicidade do sábio como fusão de nossa alma no seio do absoluto divino. Espinosa não seria um naturalista, como pretendera a ilustração, mas um espiritualista, e o maior de todos. Simultaneamente, porém, a filosofia do Idealismo alemão conservou a interpretação da obra tal como fora feita no século XVII: 0 espinosismo seria um ateísmo fatalista que torna impossível tanto a liberdade e onipotência misericordiosa de Deus quanto o livre-arbítrio do homem. Espinosa seria um naturalista e sua obra, um "frio materialismo".
Eis por que, em nosso século, a obra espinosana, interpretada de inúmeras maneiras, foi, na maioria das vezes, considerada incoerente e contraditória, carregando em seu interior restos de filosofias opostas, isto é, restos de espiritualismo místico e de naturalismo materialista. Fundamentalmente, tem sido considerada inconsistente porque pretenderia conciliar duas perspectivas inconciliáveis: a de uma filosofia da Natureza, na qual esta é entendida como sistema da necessidade absoluta, e como filosofia ética baseada na plena liberdade humana, reunindo, assim, duas ideias que se excluiriam reciprocamente, a de necessidade (das leis da Natureza) e a de liberdade (como escolha entre várias alternativas possíveis . Por que inconciliáveis? Porque dizem os intérpretes se tudo segue leis necessárias, nada há no mundo que possa ser tido como meramente possível, e sem a ideia de possibilidade não pode haver a liberdade. Todavia, se nos acercarmos da filosofia espinosana sem ideias pré-concebidas, descobriremos por que, afinal, Espinosa foi excluído da comunidade judaica, da sociedade cristã e da república dos sábios "coerentes".
Sua obra faz desabar os ares que sustentam a superstição religiosa, a tirania política e a servidão ética. Ao fazê-Io, põe em questão as imagens tradicionais de Deus, da Natureza, do homem e da política que serviam de fundamento à religião, à teologia, à metafisica e aos valores ético-políticos da cultura judaico-cristã, isto é, da cultura ocidental. E o radicalismo da razão livre e da alegria de pensar sem submissão a qualquer poder constituído seja este religioso, político moral ou teórico e a decisão de afastar tudo quanto nos cause medo e tristeza que torna Espinosa perigoso e odiado, para uns, mas também tão amado, para outros.
domingo, 14 de outubro de 2012
Indústria de Mentes
A questão cultural no Brasil sofre os efeitos da tecnologia, dos modernismos, os modismos e consumismos. Os livros, as artes, a música de qualidade, vem sendo esquecidos, estes foram trocados pela TV. O Brasil foi marcado por uma forte influência dos EUA, principalmente durante a Guerra Fria, nosso país foi atingido em cheio pelo impacto da ideologia capitalista norte-americana. A partir de então, tudo é válido para mantê-lo.
Todas as grandes mídias, sem exceção, usam seu poder de influência para formar um exercito que trabalhe a seu favor, para isso, é necessário mantê-los mal informados, ignorantes, distantes da realidade. Então elas forjam informações, distorcem as verdades, constroem uma falsa arte para ludibriar os incultos, isso os deixa distraídos, iludidos pela falsa cultura, pelas falsas informações.
Movidas pelo seu instinto de poder e controle, as mídias criam seus produtos; novelas sem conteúdos; reality shows; jornais vendidos e enganadores. Fazem do futebol uma arte; da arte uma lenda, e é somente nisso que se resume a TV aberta.
Movidas pelo seu instinto de poder e controle, as mídias criam seus produtos; novelas sem conteúdos; reality shows; jornais vendidos e enganadores. Fazem do futebol uma arte; da arte uma lenda, e é somente nisso que se resume a TV aberta.
E quando achamos que a mídia não pode fazer mais nada contra nossa capacidade intelectual, eis que surgem as falsas músicas que não dizem nada, apenas repetições infantis de baixa qualidade, que não induz ninguém à reflexão, letras de rimas pobres, fúteis. Objetos criados pela mídia, produtos aprovados pelo governo. Tudo isso é o espelho em que a TV pretende ver seu público se inspirando, e ele não falha. Os empresários perceberam que o povo não consegue filtrar informações, eles aceitam informações e explicações mastigadas. E nisso a mídia se vale para manipular as massas.
Quando pensamos em televisão, logo pensamos em cultura, entretenimento, informação, arte, mas ela na verdade não passa de um instrumento, uma máquina de criar mentes iguais e obedientes. Os governantes simplesmente veneram a televisão, pois veem nela a ascensão de seu poder, o seu instrumento de vitória.
Nesse compasso, notamos não somente o capitalismo, até mesmo o socialismo usufrui dessa meio como veículo de propaganda política. Um fato na história que nos lembra bem esse fator foi quando os Soviéticos lançaram o Sputinik, o primeiro satélite em órbita da Terra, em outubro de 1957, o pequeno aparelho levava uma única mensagem: " o comunismo será o grande vencedor". A resposta norte-americana veio no final da década. Em julho de 1969, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar o solo da lua. Consolidando a conquista aos olhos do mundo, e fincou em solo lunar a bandeira dos Estado Unidos, nação capitalista. O evento foi transmitido pela TV, audiência estimada em 1 milhão de pessoas. É somente isso, disputa de poder entre os sistemas, não há respeito aos telespectadores, porque a TV é um veículo de guerra, e não um meio de informação e cultura.
Nesse compasso, notamos não somente o capitalismo, até mesmo o socialismo usufrui dessa meio como veículo de propaganda política. Um fato na história que nos lembra bem esse fator foi quando os Soviéticos lançaram o Sputinik, o primeiro satélite em órbita da Terra, em outubro de 1957, o pequeno aparelho levava uma única mensagem: " o comunismo será o grande vencedor". A resposta norte-americana veio no final da década. Em julho de 1969, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar o solo da lua. Consolidando a conquista aos olhos do mundo, e fincou em solo lunar a bandeira dos Estado Unidos, nação capitalista. O evento foi transmitido pela TV, audiência estimada em 1 milhão de pessoas. É somente isso, disputa de poder entre os sistemas, não há respeito aos telespectadores, porque a TV é um veículo de guerra, e não um meio de informação e cultura.
Até mesmo estudiosos afirmam que a TV infantiliza e limita a consciência dos telespectadores assíduos. A repetição de clichês pré-fabricados é uma ilusão de conhecimento. Fecha as percepções do mundo, reduzindo a clichês. Acaba ensinando que as pessoas não devem ousar, nem lutar, não devem buscar desafios ou interesses, não induz as pessoas ao esforço intelectual. Logo, as pessoas tornam-se dependentes de TV, somos tentados a acreditar que esses são únicos acontecimentos importantes.
A televisão atualmente não faz mais nada além de alienar as pessoas, transmitindo valores suspeitos, invertendo conceitos, distorcendo os fatos em a seus favor. A televisão corrompe até mesmo até mesmo os revolucionários, que dizem que cada um deve pensar o que quer, acabam todos pensando a mesma coisa, eis o paradoxo do igualitarismo, que pregou a igualdade e gerou maiores desigualdades, que pregou a liberdade e gerou uniformidade.
A mídia vem causando retardo social, a sociedade hoje é formada por completos idiotas, é praticamente impossível encontrar pessoas críticas, questionadoras . Pois tornaram-se todas mórbidas, sem ação, foram todas levadas a um estado de estupidez profundo. Se era esse o objetivo da mídia, ela venceu.
E ficamos então à espera de uma revolução cultural, na qual prevalecerá a cultura original, os verdadeiros artistas, músicos, poetas. E mesmo que houver coisas consideradas sem conteúdo ou de baixa qualidade, que seja porque somos diferentes e não poque existe um instrumento formador de pensamentos iguais, a mídia!
sábado, 13 de outubro de 2012
Escrever...
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A arte
![]() |
| Paul Cézanne, Abduction,1867 |
A arte e nada mais que a arte! Ela é a grande
possibilitadora da vida, a grande aliciadora da vida, o grande estimulante da
vida.
A arte como
única força superior contraposta a toda vontade de negação da vida, como o anticristão, antibudista, antiniilista par excellence.
A arte como a redenção do que conhece - daquele que vê o caráter
terrível e problemático da existência, que quer vê-lo,
do conhecedor trágico.
A arte como a redenção do que age - daquele que não somente vê o caráter terrível e
problemático da existência, mas o vive, quer vivê-lo, do guerreiro trágico, do
herói.
A arte como a redenção do que sofre - como via de
acesso a estados onde o sofrimento é querido, transfigurado, divinizado, onde o
sofrimento é uma forma de
grande delícia.
Nietzsche
Nietzsche
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Humanidade é Desumana
Uma parte considerável da população mundial defende que a religião é a solução para todo mal do mundo. Essa mesma que maioria vive submersa em algum fundamentalismo religioso, que há anos vem fazendo um efeito inverso ao que foi imaginado. No Oriente médio, um dos lugares mais religiosos do mundo, berço das três maiores religiões ocidentais, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Enfrentam diversos conflitos religiosos, conflitos que se tornaram históricos, e demasiadamente comuns, aceitos por todos como algo natural. A religião não impede tanta violência, se seu papel primordial era conter as pessoas, ela falhou. Falhou de uma forma estarrecedora. Isso porque o Oriente Médio vive em estado de tensão há muito tempo. Além de ser visada pelo mundo inteiro por sua grande fonte de petróleo, ainda é abrigo das três religiões que se divergem entre si, cada qual com suas doutrinas, tentam de forma violenta fazer valer suas verdades.
Parece mesmo incrível o ponto em que as pessoas chegam para defender suas doutrinas. Não é um exagero dizer que elas são capazes de qualquer coisa. Quantas outras pessoas não foram assassinadas violentamente, simplesmente por pensarem diferente? Quantas casas foram bombardeadas e provocando a morte de famílias inteiras? Quantas crianças inocentes foram mortas! Mas isso já não escandaliza a humanidade, chegam a achar normal alguém queimar uma pessoa, apedrejar. Tudo isso vem dos países mais religiosos do mundo, ali, onde até o ar é divino!
As pessoas se escandalizam mais quando alguém faz uma zombaria com deuses, filme de humor, músicas, desenhos. Como aconteceu atualmente, quando uma americano produziu um filme onde o profeta Maomé aparecia em cenas de sexo, outras que mostravam a tirania do profeta, ou quando brincavam com a sua sexualidade e seu caráter. Isso sim escandalizou muitas pessoas no mundo, mas quando muçulmanos se mataram de ódio, literalmente, ao saber do filme, não escandalizou a ninguém!
Quantas vezes ouvimos por ai que deus é amor, se assim fosse, as religiões jamais chegariam ao extremo ódio umas contra outras, pois deus sendo amor; as pessoas agiriam guiadas pela paz, respeito, pois no amor todos são iguais, não há preconceito, nem violência. Já as pessoas guiadas pelas suas crenças, agem de forma oposta ao amor. Cada cultura com seu deus pessoal, nomes diferentes, aparências diversas. Desde a antiguidade, com os povos antigos, egípcios, persas, babilônicos, assírios e gregos, criavam seus deuses e mitos, e lhes atribuía características diversas, humanas ou não. A cada deus é atribuído força, poderes diversos, condutas arbitrárias e supremacia diante dos seres mortais, fracos e inferiores.
Muitas vezes vejo soluções tão simples, por outro lado tão complexas, diante de acontecimentos agregados à sociedade ao longo de milênios. Se eles necessitam de um deus, porque não um deus como o apresentado por Albert Einstein? Um deus impessoal, que não manipula o os seres por sua mera vontade, mas que age seguindo as leis naturais, um universo movido pelo cosmos, sem dogmas, nem um deus concebido à imagem do homem, portanto, não há igrejas para alienar ninguém. Muito semelhante ao apresentado por Schopenhauer no modelo budista. Ou também, defendidos por homens considerados os maiores hereges da história, como Demócrito ou Spinoza.
Einstein defende uma religião do futuro, a cósmica, sem nenhuma teologia, sem conceitos determinados por deus. Não haveria um deus para agradar, se sujeitar, se humilhar, se salvar. Assim, sem igrejas, sem necessidades de rezas ou orações, pois a natureza segue apenas sua necessidade, não a pedidos de quem quer que seja.
Seria a solução da guerra que a religião travou contra a ciência, e esta nova religião sim, poderia andar de mãos dadas com a ciência, sem maiores transtornos, sem divergências, pois hoje a ciência mal pode caminhar se desenvolver, pois as restrições impostas pelas religiões impedem isso há tempos. E assim nos perguntamos; por que isso não acontece?. A resposta não é muito difícil, aqueles que estão no poder, no controle da humanidade, os líderes religiosos das religiões dominadoras, jamais aceitarão propostas como essas, que não lhes trazem lucro algum. O medo de perder o poder é muito maior que qualquer ânsia de paz desejada por muitos.
A religião e a política andam de mãos dadas, e são aliadas contra todos nós, mas poucos percebem, as pessoas estão cegas, não conseguem mais enxergar o que é absurdo e o que não é, uma venda que cobre os olhos de todos, mais conhecida como religião!
Muitos céticos, ateus, descrentes ou simplesmente pessoas sem nenhuma religião, tem defendido o fim dos fundamentalismos religiosos, o incentivo ao racionalismo, um maior questionamento diante dos fatos ocorridos na história, na natureza e na vida. Também muito semelhante ao apresentado por Spinoza e Einstein. Isso não seria excluir a moralidade, a humanidade ou o amor, e tudo que o ser humano atribui às religiões. Seria apenas excluir os conflitos gerados por elas, seria apenas a exclusão dos mitos, das superstições criadas pelos primitivos, para dar lugar ao verdadeiro amor, a paz, ao crescimento do ser humano e à chegada da tão sonhada civilização! Excluir as religiões ultrapassadas, não levaria a humanidade ao caos, como imaginam muitos, seria um grande passo da humanidade rumo à evolução mental.
A religião nunca uniu pessoas. Ao contrário, a religião sempre foi o maior motivo de distanciamento entre as raças, culturas e povos. As pessoas perderam mesmo a noção do significado de união, paz, amor e respeito. As grandes religiões são sinônimas da segregação há milênios, mas ninguém notou, estavam muito ocupados pra pensar, em suas igrejas, mesquitas ou sinagogas!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Nada Muda, Se as Pessoas Não Mudam
A humanidade sempre buscou explicações para a complexidade da natureza e da vida, desde os tempos primitivos buscavam essas respostas, e a encontraram nos mitos. A superstição era a resposta para todas as perguntas, o desconhecido tornava-se conhecido através dos mitos, e isso os conformava!
Os anos se passaram e as pessoas buscando mais conhecimento, e as respostas dos mitos já não eram suficientes, nada parecia se encaixar nessas respostas, o o ser humano começou a buscar outras fontes de respostas. Questionavam-se a respeito do mundo, da natureza, dos seres, e de tudo que sempre foi aceito como mistérios do mundo.
Ainda na Grécia antiga surgiam os primeiros questionamentos, as primeiras críticas aos mitos, aos donos da verdade. Esta que não pertence a ninguém, para ser comerciada. A verdade está diante de nós como algo a ser procurado e será encontrada por todos aqueles que desejarem, que tiverem coragem para buscá-la!
A filosofia surgiu justamente nesses contrapontos, quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas, buscar respostas para elas, demonstrando que o mundo e os seres humanos, os acontecimentos naturais e as coisas da natureza podem ser conhecidos pela razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a si mesma. Os pensadores gregos se deram conta de que a verdade do mundo e dos humanos não era secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas, ao contrário, poderia ser conhecida por todos através de operações mentais de raciocínio.
Filosofia, essa palavra grega, composta por fhilo e sofhia. Fhilo quer dizer "aquele ou aquela que tem sentimento amigável". Sofhia quer dizer ''sabedoria" e dela vem a palavra sofhos, "sabio". filosofia significa , portanto, "amizade pela sabedoria" ou "amor e respeito pelo saber", e filósofo o que "ama ser sábio" ou tem "amizade pelo saber".
E quais eram essas perguntas feitas pelos primeiros filósofos?
E quais eram essas perguntas feitas pelos primeiros filósofos?
Para que os seres nascem e morrem? Por que os semelhantes dão origem aos semelhantes, de uma árvore nasce outra árvore, de uma cão nasce outro cão, de uma mulher nasce uma criança? Por que aos diferentes também fazem surgir diferentes: o dia faz nascer a noite, o inverno faz surgira primavera, um objeto escuro clareia com o passar do tempo, enquanto um objeto escuro claro escurece?
Por que tudo muda? A criança se torna adulta, amadurece, envelhece e desaparece. A paisagem cheia de flores na primavera, vai perdendo o verde e as cores no outono, até ressecar-se e retorcer-se no inverno.
Por que um dia luminoso e ensolarado, de céu azul e brisa suave, repentinamente se torna sombrio, coberto de nuvens, varrido por ventos furiosos, tomado pela tempestade, pelos raios e trovões?
Por que um dia luminoso e ensolarado, de céu azul e brisa suave, repentinamente se torna sombrio, coberto de nuvens, varrido por ventos furiosos, tomado pela tempestade, pelos raios e trovões?
Por que a doença invade os corpos, rouba-lhes a cor, a força? Porque o alimento que antes me agradava, agora, que estou doente, me causa repugnância? Por que o som da música que me embalava, agora que estou doente parece um ruído tão insuportável?
Por que o que parecia uno se multiplica em tantos outros? De uma só arvore, quantos flores e quantos frutos nascem! De uma só gata, quantos gatinhos nascem?
Por que as coisas tornam opostas ao que eram? A água do copo, tão transparente e de boa temperatura, torna-se uma barra dura e gelada, deixa de ser líquida e transparente torna-se sólida e acinzentada. O dia que começa frio e gelado, pouco a pouco se torna quente e cheio de calor.
Por que nada permanece idêntico a si mesmo? De onde vem os seres? Para onde vão, quando desaparecem? Porque se transformam? Por que se diferenciam uns dos outros?
Mas também por que tudo parece repetir-se? Depois do dia, anoite, depois da noite, o dia. Depois do inverno, a primavera, depois da primavera , o verão, depois deste, o outono, e depois deste novamente o inverno. De dia, o sol, de noite a lua e as estrelas. Na primavera, o mar é tranquilo e propicio a navegação, no inverno, tempestuoso e inimigo dos homens. O calor leva as águas para o céu e traz de volta pelas chuvas. Ninguém nasce adulto ou velho, mas sempre criança que se torna adulto e velho.
Sem dúvidas as religiões, as tradições e os mitos responderam essas questões, mas elas já não satisfaziam todas as pessoas, que buscaram por respostas mais convincentes!
As resposta foram encontradas por diversos filósofos, sob diversos pontos de vista, ao longo dos anos. Cada filósofo com seus estudos, suas teses, investigações.
A guerra de palavras, debates de pensamentos é inevitável, afinal, as ideias não são iguais, muitas são incompreendidas por diversos segmentos, vistas como uma arma letal! Os Pré-Socráticos trouxeram questões, deram suas respostas que foram sendo desenvolvidas por outros pensadores que os sucederam.
Devemos muito a filosofia, tantas descobertas, tantos pensamentos. Pensadores que nos inspiram à critica, ao questionamento, eles que sempre tiveram do lado do saber, do livre pensar. Mas estes pensadores encontraram pela frente adversários que usaram dessas mesmos artifícios, antes tão combatidos, tão repugnados, para derrubá-los, derrotá-los, como fez o cristianismo e seus pensadores cristãos, que desprezavam toda a investigação filosófica ou científica, mas eles não se deixaram abater, mostrando que todos nós podemos pensar por nós mesmo, e fazer nossos próprios questionamentos!
Por que o que parecia uno se multiplica em tantos outros? De uma só arvore, quantos flores e quantos frutos nascem! De uma só gata, quantos gatinhos nascem?
Por que as coisas tornam opostas ao que eram? A água do copo, tão transparente e de boa temperatura, torna-se uma barra dura e gelada, deixa de ser líquida e transparente torna-se sólida e acinzentada. O dia que começa frio e gelado, pouco a pouco se torna quente e cheio de calor.
Por que nada permanece idêntico a si mesmo? De onde vem os seres? Para onde vão, quando desaparecem? Porque se transformam? Por que se diferenciam uns dos outros?
Mas também por que tudo parece repetir-se? Depois do dia, anoite, depois da noite, o dia. Depois do inverno, a primavera, depois da primavera , o verão, depois deste, o outono, e depois deste novamente o inverno. De dia, o sol, de noite a lua e as estrelas. Na primavera, o mar é tranquilo e propicio a navegação, no inverno, tempestuoso e inimigo dos homens. O calor leva as águas para o céu e traz de volta pelas chuvas. Ninguém nasce adulto ou velho, mas sempre criança que se torna adulto e velho.
Sem dúvidas as religiões, as tradições e os mitos responderam essas questões, mas elas já não satisfaziam todas as pessoas, que buscaram por respostas mais convincentes!
As resposta foram encontradas por diversos filósofos, sob diversos pontos de vista, ao longo dos anos. Cada filósofo com seus estudos, suas teses, investigações.
A guerra de palavras, debates de pensamentos é inevitável, afinal, as ideias não são iguais, muitas são incompreendidas por diversos segmentos, vistas como uma arma letal! Os Pré-Socráticos trouxeram questões, deram suas respostas que foram sendo desenvolvidas por outros pensadores que os sucederam.
Devemos muito a filosofia, tantas descobertas, tantos pensamentos. Pensadores que nos inspiram à critica, ao questionamento, eles que sempre tiveram do lado do saber, do livre pensar. Mas estes pensadores encontraram pela frente adversários que usaram dessas mesmos artifícios, antes tão combatidos, tão repugnados, para derrubá-los, derrotá-los, como fez o cristianismo e seus pensadores cristãos, que desprezavam toda a investigação filosófica ou científica, mas eles não se deixaram abater, mostrando que todos nós podemos pensar por nós mesmo, e fazer nossos próprios questionamentos!
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Eu quero um país justo!
O Brasil é um país lindo? É, é muito lindo, belezas exuberantes, mas vem
sendo agredido por aqueles que deveriam defendê-lo, vem sendo espancado,
sucateado, e como tudo que é agredido está perdendo seu brio natural...
É um país com pessoas espertas e inteligentes? Sim, geralmente os
brasileiros são bem espertos e inteligentes, mas não usam tais atributos a seu
favor, usam contra si mesmos e consequentemente contra todos nós, vão aos
poucos se alienando, deixando de usar o cérebro. Nos últimos tempos tornou-se obsoleto!
É um país rico? Sim, é muito rico, há riqueza por toda parte, o problema
é que ela não é dividida, o bolo cresceu (economia) como foi prometido há anos
atrás, mas alguém pensou em dividir? Não, e o resultado disso é essa
desigualdade escandalosa, aquela velha história que continua, ricos mais ricos
e pobres ainda mais pobres. Porque eu devo aplaudir isso?
Eu não amo o Brasil? Não, eu amo o planeta e o universo. Acho o
patriotismo desagradável, por vezes débil, causador de fanatismos
desnecessários, quantos já não morreram pra defender sua pátria? Quando na
verdade estão defendendo uma corja nojenta que se chama políticos, covardes que
se escondem enquanto usam inocentes para morrer em seu lugar. É para isso que
serve o patriotismo! Uma linha imaginária dividindo as pessoas em grupo disso
ou daquilo, isso nunca me agradou!
Eu falo mal do Brasil? Não, eu falo mal de quem usa esse país como se
fosse uma privada, despejando nele suas porcarias; corrupção, roubalheiras,
assassinatos, estupros, alienação, preconceito e ódio!
Falo mal da hipocrisia de colocar a mão no peito pra cantar um hino
nacional que nada tem a ver com a realidade em que vivemos, a maioria nem sabe
o que está cantarolando, porque a educação nesse país nunca teve prioridade.
Não, eu não estou falando mal do seu partido, nem do seu político
favorito. Nesse país já não há mais política, o que existe são políticos divinizados! Eu estou sim criticando algo que já se tornou tradição histórica
nesse país, deixar a educação completamente de lado para manter a povo dominado. Isso é revoltante!
Alguns dizem... “ah mas o Brasil melhorou muito”, melhorou pra quem cara
pálida? Para empresários, banqueiros, políticos? Em alguns aspectos podem até
ter melhorado sim, temos mais acesso a tecnologia, é verdade, mas ainda tem
muita, muita gente passando fome, pessoas que nunca tiveram contato com nenhum
tipo de tecnologia, e como teriam? Se nem água tem pra matar sua sede! E ainda
tem gente que sai daqui pra ajudar quem passa fome na África, confesso que fico
me perguntando o porquê, se a fome é fome em qualquer parte desse mundo.
A saúde continua a porcaria que sempre foi, filas enormes com pessoas
morrendo, pagamos os impostos mais altos do mundo e qual a consequência disso? Não temos retorno algum, trabalhamos o mês inteiro para ganhar um salário que
não cobre nem a metade dele!
A nova “classe média”? Francamente, isso nem merecia um comentário. Para
a mídia estamos vivendo no país das maravilhas. Eu nunca conheci domésticas ou serventes de pedreiros que moram em mansões, que possam pagar os estudos fora do país para
seus filhos, não conseguem nem comprar material escolar para que o filho frequente a escola pública no Brasil, o que dirá no
exterior! A maioria vive com o salário mínimo que mal serve para pagar o
aluguel e comprar comida.
No Brasil não existem tragédias naturais, furacões, terremotos, verdade
em partes, podem não existir nas mesmas proporções como no Japão ou EUA, mas
quantas pessoas morrem em deslizamentos de terra, morando em morros nas
favelas? Quantas pessoas morrem todo ano em enchentes? Milhares de pessoas
perderam famílias inteiras nesses tipos de desastres, que já se tornou tão
comum no Brasil! Aqui nunca teve terremotos, mas em compensação quantos não
morrem por consequência da violência ou uso das drogas? Eu devo fechar os olhos
pra isso?
Brasil ame-o ou deixe-o? Quem não gostaria de viver em países onde a violência é quase zero? Poder andar tranquilamente sem correr risco de vida? Ganhar
salários mais dignos, ter saúde e educação de ótima qualidade?
Devemos elogiar, mas quando houver verdade, porque já chega de mentira
nesse país! Enquanto isso vivermos no país do futuro! E sempre será se você ficar ai parado!
Raquel Jacob
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